Linhas do Tempo (Fundação Calouste Gulbenkian)

Linhas do Tempo é uma exposição que se encontra aberta ao público desde o dia 24 de Junho de 2016. Esta tem como propósito assinalar os 60 anos da Fundação Calouste Gulbenkian e o objetivo traçado foi reunir a Coleção do Fundador e a Coleção Moderna, formando um só museu. blog

Tal como refere o logótipo referente à exposição, esta parte do ano 1956 e convida o espectador a viajar para a frente até ao ano 2016 ou andar para trás até ao ano 1896, existindo objetos e obras inesperadas no caminho que marcam uma ligação entre as duas coleções. O tempo é então apresentado como algo flexível e circular, que se pode ligar ao passado e ao presente. As ligações presentes entre as duas coleções permitem revelar descobertas surpreendentes. Calouste Gulbenkian é habitualmente pensado como alguém que olhava apenas para o passado no que se refere às suas preferências artísticas. No entanto, a exposição comprova que o Colecionador contratou alguns dos criadores mais sofisticados do período Art Déco para decorarem a sua casa e para conceberem objetos de luxo, incluindo peças de mobiliário e acessórios. Calouste Gulbenkian era moderno e isto significava, em parte, que tirava partido de importantes oportunidades, como por exemplo, grandes vendas.

Gulbenkian viveu no mundo real e o espaço do museu reflete esse mundo. Assim, a exposição Linhas do Tempo pretende revelar como as suas escolhas não só retratam o seu tempo como também cruzam e se refletem nas obras adquiridas pela Fundação após a sua morte.

“Há quem diga que uma imagem no espelho pode estar mais perto do que parece. A nossa seleção de obras também reflete avanços e recuos, identificando o que há de moderno em Gulbenkian e, ao mesmo tempo, convocando a natureza histórica da Coleção Moderna. Por vezes as semelhanças são improváveis; outras vezes, surgem naturalmente. Há momentos em que as duas coleções quase se tocam. As linhas do tempo não correm apenas numa direção e raramente à mesma velocidade. (…) Não é de exatidão que estamos a falar, mas antes de afinidades entre tempos e propostas artísticas. Calouste Gulbenkian pode ser tão moderno como a Coleção Moderna; a Coleção Moderna pode ser tão histórica quanto a do Fundador. Mais ou menos moderno, mais ou menos no tempo, mais ou menos em sintonia. Mais ou Menos.”

Penelope Curtis

 

Dentro da exposição foi possível encontrar diferentes obras e peças que suscitaram o meu interesse. Desde a Arquitetura até a à pintura, a variedade é enorme.

 

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Uma das obras que mais captou a minha atenção foi a maquete que acima apresento. É uma Maquete do Cine-Teatro Capitólio de 1997. Encontra-se a uma escala de 1:50, composta por madeira de faia e acrílico e executada por Sousa Machado e Júlio Mendes com colaboração de Jorge Gonçalves e Pedro Leitão. Este teatro está situado no parque Mayer em Lisboa. O projeto inicial era de Luís Cristino da Silva que o seguiu de 1925 a 1931.

Para além de ser uma peça belíssima, com traços limpos e minimalistas, penso que a conceção da peça está feita de forma exemplar. Todos os pormenores e detalhes foram, penso eu, pensados e colocados com o máximo de rigor e precisão, tornando esta maquete algo tão representativo. A arquitetura sempre foi uma arte que me interessou bastante e, por isso, este tipo de obras captam imediatamente a minha atenção. Admiro imenso o trabalho dos arquitetos e penso que este projeto é a prova de que é possível construírem-se edifícios brilhantemente concebidos e projetar estas ideias de forma tão exemplar que é possível ver o produto final em dimensões muito menores. É também essencial referir que esta obra trouxe grandes inovações para a altura como o facto de ter abrigado as primeiras escadas rolantes, uma pista de patinagem e cinema ao ar livre). Assim, é de referenciar a vanguarda artística moderna que o arquiteto Cristino da Silva abraçou no desenho deste edifício tão multifacetado.

 

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Natureza-Morta (1926)
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Auto-Retrato de um Grupo (1925)
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Sem Título (1923)

De seguida, deparei-me com estes três quadros que se encontravam dispostos numa parede cinzenta ao lado uns dos outros. O primeiro, Natureza-Morta, é de Lino António, assim como o último. O segundo, Auto-Retrato de um Grupo, é de José de Almeida Negreiro. Todos os quadros são pintados a Óleo sobre tela.

Ao observar os quadros apercebi-me de que já falara sobre eles com alguns professores e, por isso, captaram ainda mais o meu interesse. São quadros oferecidos à fundação e que retratam uma vanguarda modernista. Utilizando cores pouco vivas, os artistas conseguiram, na minha opinião, criar dinamismo e alguma emoção nas suas obras. Para mim, o favorito é o Auto-Retrato de um Grupo que retrata, tal como diz o título da obra, um grupo de pessoas sentadas numa mesa na Brasileira. As quatro figuras representadas neste quadro estão identificadas (da esquerda para a direita): Almada Negreiros, a bailarina e actriz espanhola Júlia de Aguilar, a actriz Aurora Gil, e o Prof. Dória Nazaré. É interessante perceber como o próprio artista se desenhava e via a si próprio e representava as quatro pessoas de maneira a que todas se vissem, mas nunca deixando desaparecer o conceito de café e convívio entre as quatro.

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Finalmente, decidi falar sobre a peça que apresento de seguida. É uma peça de David Annesley de 1964 e denomina-se Pequeno Balanço. É constituída por aço pintado em tons de azul, verde e amarelo. Esta peça, segundo o artista, corresponde aos braços estendidos do mesmo. Assim, a obra apresenta-se à escala do observador. Nesta altura não era usual utilizar este tipo de materiais sem ser em escultura e David Annesley fá-lo com o intuito de potencializar efeitos visuais que aproximassem a obra do espectador. As cores utilizadas sublinham as formas e conferem textura à estrutura ondulatória. Mas igualmente importantes são os vazios e as dinâmicas espaciais por estes criados. Enquanto as estruturas horizontais criam uma certa firmeza, a peça com caráter ondulatório propõe algum movimento e instabilidade. O objetivo da peça e que me interessou bastante foi dar ao observador uma experiência dinâmica em que o mesmo, ao circundar a peça, poderá tentar múltiplas leituras da mesma. Existe então uma oportunidade para um jogo visual e para uma experiência mais pedagógica.

Sendo aluna de Design de Comunicação, é curioso para mim ver peças de design como esta em que é possível retirar algo e perceber que a mesma quer, de certa forma, comunicar comigo. Um exercício que tentei e tento fazer neste tipo de situações é observar a peça e retirar o máximo possível da mesma, para depois apreender e perceber o porquê desta ser assim e as razões que levaram o artista a concebê-la desta forma.

 

Concluindo, penso que a exposição está muito bem conseguida, apesar de achar que foi um pouco difícil integrar o conceito da mesma na disposição das peças. Contudo,  penso que a experiência de ter visitado e percorrido a exposição foi algo vantajoso e que me permitiu conhecer mais daquilo que é a própria fundação. Certamente voltarei para visitar outras exposições e farei o esforço de conhecer melhor alguns dos artistas que pude ver representados nesta viagem.

 

Joana Simões

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