Dadaísmo: Investigação e Referências

No âmbito da construção de um poemário e na necessidade de procura de referências, fiz algum trabalho de pesquisa sobre o tema do dadaísmo, pois foi um movimento artístico que me interessou e que revolucionou a composição visual e a tipografia. Percebi também que, depois de alguma pesquisa feita, a escolha deste movimento artístico se enquadrava muito bem no poema que escolhi, devido às características de irei enunciar.

DADAÍSMO:

Em 1916, em plena guerra, quando um grupo de refugiados de Zurique iniciou o mais radical movimento da vanguarda europeia: o Dadaísmo. O objetivo deste grupo era chocar a burguesia da altura, tendo uma mentalidade rebelde e revolucionária. A palavra “dadá”, escolhida pelo grupo ao acaso, significa “brinquedo de criança” mas não tem qualquer valor para o movimento.

dada

O dadaísmo é a falta de perspetiva diante da guerra, daí ser um movimento contra as teorias e as ordenações lógicas, não tendo em conta nem o presente, nem o passado, nem o futuro. As obras visuais e literárias dadaístas baseavam-se no acaso, no caos, na desordem e em objetos e elementos de pouco valor, desconstruindo conceitos da arte tradicional. Era importante criar palavras pela sonoridade, quebrando a barreira dos significados. O dadaísmo propõe a morte da arte, negando-a. Nega também a religião, a política e a moral. O dadaísmo era então uma nova forma de pensar, que permitia total liberdade. Não propõe nenhum estilo em específico e utiliza muito a fotomontagem como forma de sarcasmo. Para o dadaísta o mundo está em decomposição e a procura do irreverente é o essencial para a destruição daquilo que é tradicional.

 

tristan-tzara
Tristan Tzara

Tristan Tzara foi um poeta judeu e romeno e um dos fundadores do dadaísmo. Para este, o texto, o livro, deveria causar um impacto através das palavras, da tipografia, da mancha, da cor e da disposição. Contudo, tudo isto deveria acontecer sem uma ordem nem linearidade escolhida previamente. Assim, escreveu até um texto em que explica como é que se constrói um poema Dada.

Agarre num jornal.

Agarre na tesoura.

Escolha no jornal um artigo do tamanho que deseja dar ao seu poema.

Recorte o artigo.

Recorte com atenção algumas palavras que fazem parte desse artigo e coloque-as num saco.

Tire, de seguida, vários recortes.

Copie, para a folha, seguindo a ordem em que saíram do saco.

O poema será parecido consigo.

E é um escritor infinitamente original e de uma sensibilidade graciosa, ainda que incompreendido pelo público.

Exemplos de composições de Tristan:

O dadaísmo trata então a tipografia como uma imagem. São criadas formas e representadas coisas através da tipografia de forma caótica, para transmitir a ideia de incongruência e deslocamento. As letras juntam-se em formas, existindo diferenças nos tamanhos e espessuras das próprias letras. Muitas das vezes, as letras e as frases estão isoladas, sem que haja um conceito específico, mas tentando explorar sempre as potencialidades da tipografia. A sobreposição da caligrafia manual, do contraste existente no tamanho das letras e a mistura de símbolos e fontes, cria uma espécie de anarquia.  Criam-se imagens e formas que se misturam umas com as outras criando uma composição muito dinâmica.  A poesia visual dadaísta pretendia, pela ironia implícita na sua própria banalidade, desmontar o processo convencional da escrita. Grande parte dela é, contudo, efêmera, apesar da sua imaginação verbal e, por vezes, da sua originalidade. Mas isso não invalida que a força expressiva da tipografia estivesse presente como elo fundamental na linguagem comunicacional, abrindo os caminhos da moderna poesia visual que até hoje não deixou de ser explorada.

Alguns exemplos de obras dadaístas:

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Kurt Schwitters

Kurt Schwitters foi também  um dos principais ativistas da nova tipografia do momento. Foi um artista plástico alemão que utilizava muito a colagem como base de trabalho. Apesar de estar muito próximo do dadaísmo, era considerado para muitos construtivista. Entre 1922 e 1932 publica a revista Merz onde começará as suas experiências tipográficas. Este, afirmava que arte estava em tudo, até no comércio. Então, em alguns dos seus trabalhos transformou frases feitas e slogans em “colagens de palavras”. Usava os mais variados materiais para o fazer e esta revista acabou por ser a junção do dadaísmo com o construtivismo. Partia do princípio que queria comunicar e, por isso, o texto deveria ser simples, conciso e impactante. A palavra, para este artista, revela a sua plasticidade semântica se for capaz de produzir e sugerir outros significados. Nos poemas, as palavras combinam-se umas com as outras, criando um dinamismo que acrescenta um equilíbrio sintático e semântico.

A revista Merz e alguns exemplos realizados por Kurt Schwitters:


Decidi, então, inspirar-me em alguns dos trabalhos destas duas personalidades e usar estas referências na construção do meu poemário, não querendo de forma nenhuma limitar o meu trabalho artístico por esta escolha. O trabalho de Tzara e Schwitters, assim como o próprio conceito de dadaísmo servirão de referência e inspiração, contudo, quero que a minha personalidade e interpretação do poema esteja espelhada no trabalho, logo, o texto vai ser trabalhado muito através de experiências tipográficas e técnicas que tenha descoberto e ache interessante colocar no projeto. Visto que o poema se chama Dispersão e olhando para as características deste movimento, penso que se enquadra na mensagem que este quer transmitir e na forma como o próprio poeta se sente.

Bibliografia:

GeoCities. Dezembro de 2016. Design e a tipografia.

Disponível em: http://www.geocities.ws/coma_arte/textos/noelfernandezmartinez.pdf

Wikipédia. Dezembro de 2016. Kurt Schwitters.

Disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Kurt_Schwitters

Wikipédia. Dezembro de 2016. Tristan Tzara.

Disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Tristan_Tzara

História de Arte. Dezembro de 2016. Dadaísmo.

Disponível em: http://www.historiadasartes.com/nomundo/arte-seculo-20/dadaismo/

Joana Simões

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